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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

3. O FIM DA TRANQÜILIDADE

A pequena espaçonave aldhorita acabara de ultrapassar a órbita de gigantesco planeta gasoso que era o mais exterior daquele sistema estelar. A tentativa de contatar os n’umyanos foram um completo desastre. Os habitantes de N’umya, o quinto mundo a orbitar a estrela vermelha Tavvar, haviam tentado sair da esfera de influência dos humanos, e sofreram com isso “violentas sanções”, o que no jargão terráqueo significava tornar-se alvo de fulminantes ataques retaliatórios.

Jep-Fil caminhava agitado pelo corredor principal da nave onde acabara era oficial de posto mais alto após a morte do Comandante Hat-Kon na superfície do planeta N’umya. Aldhor, seu planeta natal, fora membro da União Planetária, uma coligação que no passado incluía centenas de espécies dos mais remotos cantos da Via Láctea. Mas com a crescente expansão dos humanos e de sua invencível máquina de guerra, muitos planetas foram incapazes de manter-se neutros em relação aos odiados e belicosos seres do Planeta Terra.

A opção por integrar a Esfera Neutra pareceu mais sensata ao Conselho de Representação que governava o belo planeta Aldhor. Não foram poucos os conselheiros que votaram em prol de uma aliança com os terráqueos, mas a maioria demonstrou seu desprezo por eles optando por uma solução intermediária, tornando-se aberto tanto às delegações da União Planetária, como ao Mercado Pan-Solar, o nome pomposo com que os humanos autodenominavam seus domínios intergaláticos.

Hat-Kon não imaginava que os demônios terrestres continuassem agindo no sistema de Zynä após os ataques a N’umya, mas sua falha de avaliação custara-lhe a própria vida, e Jep-Fil viu-se obrigado a assumir o comando na nave Kirittaim Tuy, um veículo relativamente leve, usado para explorações científicas, que o próprio Hat-Kon e seu clã equiparam com armamentos improvisados para enfrentar imprevistos. Entretanto, as belonaves terrenas que foram avistadas ao redor de N’umya, mesmo sendo pequenos modelos da classe Insect, possuíam um poder de fogo grande demais para os aldhoritas.

E assim, a ação mais sensata deles foi simplesmente fugir, deixando rapidamente as órbitas planetárias mais internas da estrela vermelha e preparando-se para o salto hiperespacial. Jep-Fil também estava preocupado em quais seriam as repercussões da presença dos aldhoritas em N’umya, pois embora seu planeta oficialmente fosse neutro, existiam muitos de sua raça que desejavam retornar à União Planetária. E dentre os descontentes, um grupo muito influente era o Clã Medicinal dos Hat.

Os Terráqueos exigiriam uma punição exemplar aos aldhoritas rebeldes, e nem mesmo o renome dos Hat seria capaz de conter a fúria dos humanos. O barulho grave que retumbava pelas câmaras da Krittaim Tuy indicava que o hiperpulsor já estava acionando o salto além da velocidade da luz.

A recém-tornado comandante teria muito tempo para pensar em seu futuro enquanto se mantivesse no hiperespaço.

Quando retornasse ao espaço normal, contudo, a tranqüilidade iria embora.

O FIM DA TRANQÜILIDADE
Texto: Simoes Lopes

2 comentários:

Orfanik K. disse...

estou aguardando para ver o que vai acontecer quando saírem do hiper espaço...
Quero ver também até onde vai essa relação entre religião terrena e lutas interestelares...
Mais uma vez a religião move as mãos que seguram as armas.

Simoes Lopes disse...

Aguarde e verá...

 
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